Análise do texto: Carvalho, Ana Amélia A. (2006). Indicadores de Qualidade de Sites Educativos. Cadernos SACAUSEF – Sistema de Avaliação, Certificação e Apoio à Utilização de Software para a Educação e a Formação, Número 2, Ministério da Educação, 55-78.
Indicadores de Qualidade de Sites Educativos
Ana Amélia Amorim Carvalho – Universidade do Minho – aac@iep.uminho.pt
O texto em análise aborda a evolução que se tem verificado nos sites ao nível de layout e de design gráfico, de funcionalidades informativas e interactivas, de orientação, de navegação e de comunicação.
É explicitado ainda os cinco componentes essenciais de um site educativo: informação, actividades, construção e edição colaborativa online, comunicação e partilha.
Posteriormente são propostas as dimensões de qualidade de um site educativo.
A World Wide Web e o dilúvio da informação
A World Wide Web apresenta um crescimento de informação, onde a diversidade e multiplicidade da mesma não é garantia de qualquer qualidade. Neste contexto cito as seguintes afirmações de Lévy (2000) “o dilúvio da informação não diminuirá nunca mais. (…) Não terá fim” (2000: 15).” e “ensinemos os nossos filhos a nadar, a flutuar, a navegar talvez” (idem: 15).”
Esta diversidade imensa de informação, implica a necessidade de sabermos distinguir um site fiável de um que não o é, e isso, pode ser obtido através de indicadores que ajudam a identificar a qualidade de um site.
QUATRO FASES NA EVOLUÇÂO DOS SITES
Esta análise da evolução dos sites foi efectuada não “só ao nível do layout das páginas e da estruturação da informação, mas também, à integração de ferramentas de comunicação e de edição online.”
INFORMAÇÃO CORRIDA (O “LENÇOL”)
Trata-se da primeira fase, designada por informação corrida, que surge com as primeiras páginas Web. O termo “lençol” é associado devido ao facto da mancha gráfica ser densa e muito longa. Outra particularidade desta página é a sua difícil leitura no ecrã e o facto de não se tirar partido do hipertexto e a dificuldade de orientação no site.
MULTIMEDIA (“MULTIMÉDIA NO SEU PIOR”)
Esta fase é caracterizada pelos gifs animados, pelas cores coloridas e pela música de fundo. Embora as páginas ficassem com muita vida, dificultavam a concentração. Temos então, uma utilização desequilibrada de componentes de multimédia.
Começa também nesta fase, a disponibilização do nome de autor e o seu contacto electrónico, e em alguns sites começam a surgir fóruns temáticos, valorizando-se assim a comunicação.
DESIGN GRÁFICO E INTERACTIVIDADE
Nesta fase, há a preocupação com o design gráfico. É especificado no texto uma série de características, das quais realço que “O texto com fonte sem serifa surge alinhado à esquerda” e “Perante a informação disponibilizada, o utilizador é convidado a interagir, passando a ter um papel mais activo:
a) activar uma animação, permite compreender (ver e/ou ouvir) determinada sequência ou construção;
b) preencher e enviar, por exemplo, formulários, colocar uma questão, aguardando depois que o feedback chegue.
c) preencher e verificar, o utilizador obtém feedback imediato, o que é excelente para o sujeito. Como exemplo, pode referir-se exercícios interactivos com correcção automática.”
EDIÇÃO COLABORATIVA ONLINE
Nesta fase, os conteúdos diversificam os conteúdos utilizados embora predomine o texto, donde se salienta o podcast. Os sites educativos passam a conter informação para os professores, alunos e encarregados de educação e professores e alunos encontram-se no chat, com áudio ou vídeo, no correio electrónico e no fórum. A comunicação intensifica-se.
SINTESE
Neste ponto, o texto apresenta um quadro resumo bastante esclarecedor, onde são resumidas todas as características das quatro fases evolutivas dos sites.
Um site é constituído por um conjunto de páginas ligadas entre si, estabelecendo hiperligações a outros sites. Especifica-se também uma série de características específicas que um site deve obedecer.
COMPONENTES DE UM SITE EDUCATIVO
“Um site educativo tem que ter subjacentes os princípios básicos estruturais, de navegação, de orientação, de design e de comunicação de qualquer site mas, para além disso, um site educativo tem que motivar os utilizadores a quererem aprender, a quererem consultar e a quererem explorar a informação disponível. Para isso, o site deve integrar actividades variadas.”
Esta afirmação é bastante esclarecedora do que deve ser um site educativo, das quais se destaca a variedade de actividades, ser aberto à comunidade educativa e usando as ferramentas de comunicação (trabalho colaborativo) e finalmente o site deve ter um espaço de partilha de trabalhos e projectos feitos pelos professores e alunos, comprometendo-se estes a respeitar as orientações éticas e morais do site.
São consideradas cinco componentes principais de um site educativo: a informação, as actividades, a comunicação, a edição colaborativa online e a partilha. Estes componentes não são estanques e contribuem para dinâmicas interactivas, auto-suficientes e de responsabilização na aprendizagem e na produção de trabalhos.
INDICADORES DE QUALIDADE
São referidas as normas ISO 8402 (1994) e ISSO/IEC 9126-1 (2001), como normas reguladoras. É igualmente esclarecido pela autora o facto de vários autores e organizações proporem dimensões e indicadores que permitem aferir a qualidade de sites.
ABORDAGENS QUE EVIDENCIAM OS INDICADORES DE QUALIDADE DA INFORMAÇÃO
Neste ponto referem-se algumas das abordagens que evidenciam os indicadores de qualidade da informação referidas pela autora, dos autores Tillman (2003), Grassian (2000), Richmond (2003), Beck , Smith(2005), Kapoun (1998), Tweddle (1998), Greer (1999), Mardis & Ury (2003) e Ken Statefoi (2004).
ABORDAGENS A SITES EDUCATIVOS
Neste ponto é referido pela autora que poucas abordagens a sites educativos foram encontradas, mas a mesma destaca as seguintes: “destacamos as propostas por Treadwell (2006), Simões (2005), Schrock (2002), Chen e Brown (2000), Adojan e Sarapuu (2000) e Bantjes e Cronje (2000).” A autora apresenta uma tabela que referencia como a Grelha de Avaliação sobre o SiteMat de Simões (2005), a qual explica as sub-características e atributos da informação do site acima referido.
INDICADORES DE QUALIDADE DE UM SITE EDUCATIVO
Estes indicadores baseiam-se na norma ISO/IEC 9126-1 (2001), na da literatura explicada no ponto anterior, na experiência da autora e na definição que a mesma apresentou sobre site educativo.
A autora propõe nove dimensões, que integram os indicadores de qualidade de um site educativo, os quais serão explicados nos pontos a seguir:
IDENTIDADE
É integrada por:
a) Nome do site
b) Propósito ou finalidade do site
c) Autoridade
d) Data de criação e a última actualização
USABILIDADE
A Usabilidade de um site traduz-se no facto de ser fácil de usar e fácil de aprender a usar. Para isso, contribuem os seguintes pontos:
a) Estrutura do site
b) Navegação e orientação do site
c) Interface
RAPIDEZ DE ACESSO
A rapidez de acesso ao site e de navegação no seu interior é um factor muito importante, contribuindo para essa rapidez o facto de as hiperligações estarem activas.
NIVEIS DE INTERACTIVIDADE
A interactividade motiva o utilizador a explorar um site. Sendo assim, o aprendiz tem que ser desafiado num site para se sentir envolvido e interessado. São explicados pela autora cinco níveis (1 ao 5).
INFORMAÇÃO
Neste ponto é referido que a informação a disponibilizar pode estar em qualquer formato, abarca o conteúdo disponibilizado, as ajudas ao utilizador e as perguntas frequentes. São identificados seis indicadores de qualidade de informação:
a) Temática e adequação às orientações curriculares
b) Abordagem feita ao assunto
c) Correcção do texto (escrito ou oral)
d) Referências bibliográficas
e) Data e actualidade
f) Autor
ACTIVIDADES
As actividades disponíveis num site têm como principal objectivo levar os alunos a conhecerem a informação nele disponível ou outras temáticas complementares em outros sites afins. Essas actividades devem envolver os alunos. São referidas três tipos de actividades:
a) A pesquisa orientada
b) Jogos
c) Os exercícios com correcção automática
Essas actividades devem ter em conta o nível de escolaridade que se pretende abarcar.
EDIÇÃO COLABORATIVA ONLINE
Estas ferramentas colaborativas fazem com que vários sujeitos colaborem para um mesmo objectivo, permitindo, por exemplo, que várias escolas colaborem para um projecto comum.
ESPAÇO DE PARTILHA
Este espaço é para serem disponibilizados os trabalhos realizados pelos professores e os alunos dentro de certas orientações.
COMUNICAÇÃO
Este ponto caracteriza-se pela existência de fóruns, sendo este um espaço de partilha.
CONCLUSÃO
Neste ponto a autora tem uma citação que esclarece bem a importância dos indicadores de qualidade de um site educativo, que é a base da análise deste texto:
“Saber identificar os indicadores de qualidade de um site educativo é algo de imprescindível no século XXI, dada a crescente importância da Web como recurso informativo.
Os indicadores de qualidade apresentados estão directamente relacionados com os componentes de um site educativo e com as tecnologias actuais. Destacamos o papel das actividades como motivadoras da exploração do conteúdo disponibilizado no site, podendo estas proporcionar aprendizagem colaborativa.”
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