terça-feira, 3 de março de 2009

Blogs: um recurso e uma estratégia pedagógica

Análise do texto:

Blogs: um recurso e uma estratégia pedagógica
Maria João Gomes
Universidade do Minho – Departamento de Currículo e Tecnologia Educativa
mjgomes@iep.uminho.pt

BLOGS: CONCEITO, ORIGEM E PRINCIPAIS FUNCIONALIDADES

Este texto aborda a possibilidade de exploração dos “blogs” quer como “recurso” quer como “estratégia” pedagógica. Além disso, refere-se a importância que os “blogs” começam a ter no ensino, sendo uma “ferramenta de ensino”. Este facto é analisado pela autora ao longo do texto, assim como são apresentadas propostas de exploração que virão a dar fruto no nosso quotidiano escolar.
Assim, começa por definir o conceito de “blog”, o qual é a abreviatura do termo original da língua inglesa “weblog” como sendo uma página na Web que se pressupõe ser actualizada com grande frequência através da colocação de mensagens.
Os “blogs”, que inicialmente eram criados por pessoas com conhecimentos informáticos, depressa se expandiram, existindo, hoje em dia, uma diversidade interessante, abordando várias áreas e temas.
É, de seguida, explicada as principais funcionalidades dos “blogs”, desde um simples arquivo de links, um registo digital das emoções. A visibilidade pública de um “blog” depende até certo ponto da determinação do autor, o qual pode facilitar ou complicar esta visibilidade.
Finalmente é explicado que um “blog” deve ser actualizado, sendo essa actualização de autoria individual ou colectiva. Outro aspecto importante é o facto do sucesso dos “blogs” se dever em parte a estes constituírem espaços de publicação na Web, fáceis de usar e gratuitos.

POSSÍVEIS UTILIZAÇÕES PEDAGÓGICAS DOS BLOGS

Com o aparecimento dos sites de criação, gestão e alojamento de “blogs” gratuitos e de fácil utilização, assiste-se a uma proliferação dos mesmos, e à sua importância no mundo educativo.
Sendo assim, e embora a distinção entre os “bolgs” enquanto “recurso pedagógico” e os “blogs” enquanto “estratégia pedagógica” nem sempre seja clara, a autora decidiu adoptá-la para efeitos de sistematização da sua apresentação. A mesma refere o seguinte:

Enquanto recurso pedagógico os blogs podem ser:

􀂃 Um espaço de acesso a informação especializada;
􀂃 Um espaço de disponibilização de informação por parte do professor.

Enquanto “estratégia pedagógica” os blogs podem assumir a forma de:

􀂃 Um portfólio digital;
􀂃 Um espaço de intercâmbio e colaboração;
􀂃 Um espaço de debate – role playing;
􀂃 Um espaço de integração.

A autora alerta para o facto de, neste texto, apenas se referir algumas possibilidades de exploração dos “blogs” tendo em vista os alunos quer como “leitores” quer como autores dos mesmos.
O uso de “blogs” no campo educacional reveste-se de extrema importância, pois permite expor ideias, trabalhos e outros assuntos que o seu autor ou autores desejem partilhar. É assim uma ferramenta em que a sua utilização no campo educativo apresenta muito interesse.
No texto é realizada uma análise mais detalhada do uso dos “blogs” em determinados contextos. Assim, temos:
Os “blogs” como espaço de acesso, à informação especializada:
trata-se de uma forma de disponibilizar aos alunos mais uma fonte de informação especializada, por vezes com a mais-valia da existência da possibilidade de contactarem os responsáveis.
Os “blogs” como espaço de disponibilização de informação por parte do professor:
é o próprio professor que cria e dinamiza um “blog” no qual disponibiliza informação que considera de interesse para os seus alunos. Pode através da utilização do seu “blog” motivar os seus alunos a estudarem de forma mais continuada, apresentando as matérias de uma forma mais atractiva e motivadora. Desde que existam as condições técnicas necessárias, o “blog” do professor pode ser uma ferramenta bastante poderosa em contexto educativo.
Os “blogs” como portfólio digital:
A autora refere o seguinte:
“Uma das utilizações mais frequentes dos blogs no domínio educativo, particularmente ao nível do ensino superior é a sua exploração como forma de construção de um portfólio digital.
Um portfólio pode assumir diversas funções e ter múltiplos propósitos sendo de realçar a possibilidade da sua exploração como forma de organizar e apoiar as aprendizagens e/ou a possibilidade de se constituir como instrumento de avaliação.
Ambas as perspectivas são educacionalmente válidas e normalmente fortemente intercruzadas.”
Estando a avaliação por portfólio a despertar cada vez mais interesse, a autora refere como a mesma deve ser efectuada:
"A avaliação por portfólio, na sua essência, é uma avaliação centrada no acompanhamento longitudinal do processo de participação nas actividades de aprendizagem/formação pelo que se focaliza quer no “produto”, quer no “processo” ".
Os “blogs” como espaço de intercâmbio e colaboração entre escolas:
O desenvolvimento de projectos de intercâmbio entre escolas é uma estratégia pedagógica de longa data utilizada em múltiplos contextos mas talvez com particular incidência no domínio do ensino das línguas. Neste campo o “blog” apresenta uma série de potencialidades relacionadas com as suas características e que potenciam a sua utilização no espaço de intercâmbio e colaboração entre escolas.
Os “blogs” como espaço de debate – role-playing
Uma outra possibilidade da utilização dos “blogs” é, como espaço de desenvolvimento de debates prolongados, adoptando o espírito da estratégia de role-playing (desempenho de papéis).
A criação de debates, entre escolas e entre grupos permite e como refere a autora:
“Este tipo de actividade tem grande potencial educativo, não só pela necessidade de desenvolver competências de pesquisa de informação e de domínio da comunicação escrita mas também pode contribuir para o desenvolvimento de um espírito de maior tolerância e abertura a pontos de vista diferentes.”
“Blogs” como espaço de integração:
A autora refere que neste contexto podemos considerar duas versões distintas da utilização dos “blogs”, em ambos os casos valorizando a sua vertente de meio de comunicação. A construção de um “blog” colectivo permite ser um espaço de integração entre os alunos quer eles estejam presentes ou não.

CONCLUSÃO:

No contexto em que foi explorado este teste, nomeadamente os aspectos de carácter pedagógico, relacionados directamente com o processo de ensino e de aprendizagem, a autora refere o seguinte:
“É minha convicção que não estamos perante uma “moda” passageira mas sim perante um novo recurso que pode suportar diversas estratégias de ensino e de aprendizagem. A facilidade de criação e manutenção de um blog e a existência de serviços gratuitos e de qualidade, bem como a crescente divulgação de perspectivas e experiências práticas da sua utilização ao nível de escolas dos diversos níveis de ensino são um bom prenúncio neste sentido. O aumento das condições de acesso à Internet, nomeadamente com o projecto de colocar “banda larga” nas escolas e com o aumento do número de famílias com acesso à Internet a partir das suas residências é também um sinal positivo.”
Estas afirmações não podiam ser mais verdadeiras, no contexto escolar actual, e cabe-me a mim, enquanto educador, implementar e aproveitar a utilização desta ferramenta como uma forte aliada no processo de ensino e aprendizagem.

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