quinta-feira, 5 de março de 2009

COMPUTADORES, FERRAMENTAS COGNITIVAS

Computadores, Ferramentas Cognitivas
Desenvolver o pensamento crítico nas escolas
Jonassen, David H. (2007)
Porto Editora


É referido pela Professora Doutora Ana Amélia Carvalho que a leitura do capítulo do livro supra-citado é imprescindível para um professor, ou seja, entender como o autor explicita um dos utilitários ou software usados como ferramenta de trabalho em contexto escolar. Aprender e compreender como se pode integrar esse utilitário nas práticas educativas como ferramenta cognitiva é de todo interessante verificar.
Sendo assim, o Capítulo 5 – Folhas de cálculo enquanto ferramentas cognitivas, parece-me ser o mais adequado às minhas práticas, uma vez usar esse tipo de software e assim tentar perceber até que ponto as posso usar como ferramenta cognitiva.
O autor começa por referir o que são folhas de cálculo.
Assim, folhas de cálculo são sistemas informáticos de manutenção de registos numéricos, ou seja, foram “pensadas” e programadas para fazerem cálculos. Além disso referem-se as suas aplicações e a necessidade que houve em construir este tipo de ferramenta para resolver muitos problemas que implicavam cálculo numérico e a análise dos resultados obtidos. Desde operações matemáticas, lógicas, estatísticas, financeiras de engenharia e outras, as folhas de cálculos permitem efectuar um conjunto de operações complexas que facilitam em muito o trabalho de quem precisa de realizar esses cálculos. É igualmente referido todas as potencialidades das mesmas, desde a possibilidade de criação de gráficos, o uso de macros e que as mesmas foram inicialmente desenvolvidas por dois alunos da licenciatura em Contabilidade como uma ferramenta para apoiar as operações de contabilidade nos seus cursos.
Como são as folhas de cálculo usadas enquanto ferramentas cognitivas?
As folhas de cálculo são um exemplo de tecnologia cognitiva que reorganiza o funcionamento mental. As mesmas implicam uma diversidade de processos mentais que requerem da parte dos alunos a utilização de regras existentes, a criação de novas regras para descrever relações e a organização de informação, como refere o autor. É igualmente evidenciado que os utilizadores venham a pensar de forma mais profunda se aprenderem a desenvolver folhas de cálculo para descrever áreas de conteúdo. Pode-se mesmo referir que estas ferramentas cognitivas são usadas para apoiarem o pensamento quantitativo de ordem superior.
Finalmente, pode-se referir que a folhas de cálculo como ferramentas cognitivas podem ser usadas de pelo menos três formas:
- Ferramentas informáticas de raciocínio para a análise de dados;
- Ferramentas de compreensão matemática;
- Ferramentas de modelação de simulações.
Ferramentas informáticas de raciocínio para a análise de dados
Neste ponto, pode-se referir que as folhas de cálculo são calculadoras que aliviam o esforço cognitivo associado à computação, apoiando actividades de resolução de problemas. A manipulação de todas estas variáveis faz com que as folhas de cálculo funcionem como ferramentas de cálculo e de raciocino.
Ferramentas de compreensão matemática
As folhas de cálculo apoiam o pensamento numérico. Elas constituem uma poderosa ferramenta de manipulação que ajuda os alunos a perceberem os cálculos em vez de os forçarem a incontáveis programas de repetição que prejudica a sua performance matemática. É referido que, a folha de cálculo modela a lógica matemática que está implícita nos cálculos, tornando óbvio, para os alunos, a lógica subjacente e permite melhorar a compreensão das inter-relações e dos procedimentos.
Ferramentas de modelação de simulações
O uso de folhas de cálculo para simular fenómenos constitui um “modo directo e efectivo de compreender o papel de vários parâmetros e de testar diferentes modos de optimizar os seus valores” (Sundheim, 1992,p.654)
Sendo assim a construção de simulações de sistemas dinâmicos é uma das actividades intelectuais mais completas onde os alunos se podem empenhar.
Ferramentas cognitivas relacionadas
As folhas de cálculo estão relacionadas com as bases de dados devido ao seu aspecto e funcionamento, com as ferramentas de modulação de sistemas e ainda com o micro mundo, um modelo simplificado do mundo que os alunos podem manipular. São assim ferramentas cognitivas poderosas quando usamos as suas potencialidades de simulação. São programas versáteis para manipular matematicamente quase todos os tipos de informação digital.
Treinar a criação de folhas de cálculo na sala de aula
Para os alunos poderem usar os vários tipos de análise de conteúdos necessários para estabelecer e descrever situações-problema e para criarem folhas de cálculo, irão precisar de muitas competências novas. A capacidade para criar modelos quantitativos de situações-problema é uma competência transferível e poderosa. Para obtermos este objectivo, é necessário percorrer vários níveis de aprendizagem. Esses níveis são a seguir referidos:
1. Fornecer uma folha de cálculo modelo aos alunos
2. Os alunos fazem um plano
3. Os alunos adaptam folhas de cálculo existentes ou concedem novas folhas de cálculo para outros alunos completarem
4. Os alunos criam e completam uma folha de cálculo orientada para um problema
5. Os alunos extrapolam a partir de folhas de cálculo
6. Os alunos reflectem sobre a actividade
Avaliar folhas de cálculo enquanto ferramentas cognitivas
Avaliar é considerado um processo complicado. Para a avaliação de folhas de cálculo enquanto ferramentas cognitivas, o autor propõe o seguinte:
Pensamento critico, criativo e complexo na criação e uso de folhas de calculo
São várias as competências implicadas desde o pensamento criativo, complexo, concepção, análise e relacionamento, entre outras, que são explicitadas nas grelhas expostas.
Para avaliar estas competências são propostas no texto várias tabelas que explicam de forma detalhada a forma segundo a qual devemos proceder.
Avaliar folhas de cálculo de alunos
O que torna uma folha de cálculo eficaz?
Para esta questão o autor expõe um quadro resumo com os critérios avaliativos de uma folha de cálculo, mas alertando para a possibilidade de adaptar os mesmos.
Avaliar software de folhas de cálculo
O Excel da Microsoft tornou-se a folha de cálculo mais standard e a mais usada, contudo devemos ter sempre em atenção o seu preço e optar sempre que possível pelas dos pacotes integrados.
Devemos seleccionar o software que minimize o tempo gasto na sua aprendizagem e maximize o tempo passado a resolver problemas quantitativos.
Vantagens das folhas de cálculo enquanto ferramentas cognitivas
Uma folha de cálculo realiza cálculos que estão incluídos nas suas células. Uma das vantagens é que alterando um valor numa célula altera automaticamente todos os cálculos. Assim, permitem obter vários resultados, que ajudam a compreensão dos vários problemas propostos e consequentemente influenciando o pensamento racional.
Limitações das folhas de cálculo enquanto ferramentas cognitivas
Pode-se referir que o interesse é superior nas áreas que impliquem cálculos matemáticos, embora seja possível a sua utilização em outras áreas educativas.
Resumo
As folhas de cálculo são ferramentas versáteis que permitem identificar, manipular e visualizar relações quantitativas entre entidades e criar simulações de fenómenos quantitativos dinâmicos.
São usadas como ferramentas cognitivas, tendo como finalidade principal ajudar os alunos no processo cognitivo.

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