segunda-feira, 16 de março de 2009

Os LMS no Apoio ao Ensino Presencial: dos Conteúdos às Interacções

Análise do texto: Carvalho, A.A. (2008). Os LMS no Apoio ao Ensino Presencial: dos conteúdos às interacções. Revista Portuguesa de Pedagogia, Ano 42-2, 101-122.

Ana Amélia A. Carvalho
Instituto de Educação e Psicologia
Universidade do Minho
aac@iep.uminho.pt

Os LMS no Apoio ao Ensino Presencial: dos Conteúdos às Interacções

Introdução:
A utilização de LMS (Learning Management Systems) tem vindo a aumentar no ensino presencial, devido às suas potencialidades, ajudando o professor e os alunos no processo de aprendizagem. Facilita o acesso aos conteúdos e permite a interacção entre professor - alunos e entre alunos - alunos, através de meios de comunicação síncrona e assíncrona. Os conteúdos podem ser inseridos a qualquer dia e hora, permitindo assim ao professor centrar-se no processo de ensino-aprendizagem. É dito igualmente que a educação na universidade deve incluir três formas básicas de aprendizagem académica: auto-aprendizagem, tele-aprendizagem e interacção social.
Aportações do LMS ao professor e aos alunos
O LMS garante aos professores e aos alunos um espaço online privado, de acesso aos conteúdos, de interacção e de partilha de dificuldades, de descobertas, de trabalhos individuais e de grupo, sendo assim um novo contexto para aprender. Com esta ferramenta podemos incentivar o trabalho colaborativo.
Acesso aos conteúdos
Inicialmente utilizou-se o LMS como um mero repositório, onde o professor colocava os conteúdos de apoio à unidade curricular, de forma organizada, permitindo assim, rentabilizar o tempo da aula para esclarecer dúvidas ou lançar questões sobre os casos analisados. É igualmente importante referir que, desta forma, os alunos que se encontrem temporariamente impedidos de assistirem às aulas, possam continuar a acompanhá-las. Os conteúdos disponibilizados nas mais variadas formas, podem ser consultados a qualquer hora e local.
Interacção
A aprendizagem colaborativa apresenta várias vantagens, porque mostra como o conhecimento e as competências são usadas em situações reais. O LMS é uma ferramenta muito importante neste contexto devido à utilização da comunicação síncrona e assíncrona, havendo, deste modo, um intercâmbio de conhecimentos e dando, assim uma maior sensação de presença e de maior influência social.
Espaço de partilha
O espaço de partilha pode ser de esclarecimento de dúvidas de forma síncrona e assíncrona, de debate no fórum e de disponibilização de documentos.
Papéis do professor
Refere-se no texto que, o professor deve orientar o aluno no seu processo de aprendizagem proporcionando-lhe actividades que o levem a querer saber, a reflectir e a debater. É assim, um orientador de aprendizagem, devendo apoiar o aluno num percurso nem sempre fácil.
Sendo assim o LMS, ajuda em muito o professor na concretização desta tarefa, pois permite uma maior actividade e intercâmbio na sala de aula, tornando-se a mesma num espaço de partilha de conhecimentos.
Do “Big brother” ao apoio online
O LMS permite ao professor um controle total sobre todas as actividades propostas, podendo o mesmo avisar os alunos dos prazos dos trabalhos, colaborar com eles na realização das várias tarefas e visualizando as actividades realizadas, ou seja, um acompanhamento permanente. A constituição dos grupos obedece a certas regras referidas no texto que convém obedecer para o bom funcionamento dos mesmos.
Reflexão
Levar os alunos a reflectirem sobre o que estão a aprender é uma forma de olharem de outro modo para o conteúdo. A utilização do LMS ajuda em muito na concretização deste objectivo, uma vez não ser possível a comunicação assíncrona nas aulas presenciais. A capacidade de reflectir sobre a aprendizagem é um requisito cada vez mais valorizado. O aluno reflexivo é auto-critico, é aberto a criticas, é receptivo a experimentar diferentes abordagens e é capaz de aprender independentemente. Para esta capacidade contribui a auto-avaliação e a avaliação por pares, o diário, os comentários reflexivos, entre outros, e tudo isto, pode ser realizado com a utilização do LMS.
Debate
O debate online pode ser síncrono ou assíncrono. O debate assíncrono tem a vantagem de os alunos poderem reflectir sobre a questão colocada, podendo dar um contributo mais elaborado e ponderado. O debate síncrono pode ajudar os alunos mais tímidos a participarem nas aulas.
Variedade de recursos e de trabalhos
Dependendo da diversidade dos alunos que um professor tem, a variedade de recursos e dos trabalhos a disponibilizar deve possibilitar que os mesmos se sintam motivados e agradados com a sua realização.
Conclusão
As necessidades da sociedade mudaram e neste contexto o aluno deve ter a capacidade de aprender autonomamente, de pesquisar, de saber trabalhar colaborativamente e de ter capacidade de interacção social.
Para isso, a aprendizagem colaborativa, a aprendizagem baseada em projectos, o processo de ensino-aprendizagem centrado no aluno, conduzindo-o a uma aprendizagem autónoma, de pesquisa e de selecção de informação ajuda o aluno a preparar-se para a sua vida profissional.
Sendo assim, os LMS vêm proporcionar um apoio ao processo de ensino-aprendizagem, ajudando o professor através das suas mais variadas potencialidades, a implementar recursos e tarefas de forma a preparar os seus alunos para a sua vida profissional.

domingo, 15 de março de 2009

Aqui está a nossa WebQuest......

Finalmente concluímos a nossa WebQuest....

Consulta-a, vais gostar....

Aqui fica

Verificação Experimental da Lei de Ohm

quinta-feira, 5 de março de 2009

COMPUTADORES, FERRAMENTAS COGNITIVAS

Computadores, Ferramentas Cognitivas
Desenvolver o pensamento crítico nas escolas
Jonassen, David H. (2007)
Porto Editora


É referido pela Professora Doutora Ana Amélia Carvalho que a leitura do capítulo do livro supra-citado é imprescindível para um professor, ou seja, entender como o autor explicita um dos utilitários ou software usados como ferramenta de trabalho em contexto escolar. Aprender e compreender como se pode integrar esse utilitário nas práticas educativas como ferramenta cognitiva é de todo interessante verificar.
Sendo assim, o Capítulo 5 – Folhas de cálculo enquanto ferramentas cognitivas, parece-me ser o mais adequado às minhas práticas, uma vez usar esse tipo de software e assim tentar perceber até que ponto as posso usar como ferramenta cognitiva.
O autor começa por referir o que são folhas de cálculo.
Assim, folhas de cálculo são sistemas informáticos de manutenção de registos numéricos, ou seja, foram “pensadas” e programadas para fazerem cálculos. Além disso referem-se as suas aplicações e a necessidade que houve em construir este tipo de ferramenta para resolver muitos problemas que implicavam cálculo numérico e a análise dos resultados obtidos. Desde operações matemáticas, lógicas, estatísticas, financeiras de engenharia e outras, as folhas de cálculos permitem efectuar um conjunto de operações complexas que facilitam em muito o trabalho de quem precisa de realizar esses cálculos. É igualmente referido todas as potencialidades das mesmas, desde a possibilidade de criação de gráficos, o uso de macros e que as mesmas foram inicialmente desenvolvidas por dois alunos da licenciatura em Contabilidade como uma ferramenta para apoiar as operações de contabilidade nos seus cursos.
Como são as folhas de cálculo usadas enquanto ferramentas cognitivas?
As folhas de cálculo são um exemplo de tecnologia cognitiva que reorganiza o funcionamento mental. As mesmas implicam uma diversidade de processos mentais que requerem da parte dos alunos a utilização de regras existentes, a criação de novas regras para descrever relações e a organização de informação, como refere o autor. É igualmente evidenciado que os utilizadores venham a pensar de forma mais profunda se aprenderem a desenvolver folhas de cálculo para descrever áreas de conteúdo. Pode-se mesmo referir que estas ferramentas cognitivas são usadas para apoiarem o pensamento quantitativo de ordem superior.
Finalmente, pode-se referir que a folhas de cálculo como ferramentas cognitivas podem ser usadas de pelo menos três formas:
- Ferramentas informáticas de raciocínio para a análise de dados;
- Ferramentas de compreensão matemática;
- Ferramentas de modelação de simulações.
Ferramentas informáticas de raciocínio para a análise de dados
Neste ponto, pode-se referir que as folhas de cálculo são calculadoras que aliviam o esforço cognitivo associado à computação, apoiando actividades de resolução de problemas. A manipulação de todas estas variáveis faz com que as folhas de cálculo funcionem como ferramentas de cálculo e de raciocino.
Ferramentas de compreensão matemática
As folhas de cálculo apoiam o pensamento numérico. Elas constituem uma poderosa ferramenta de manipulação que ajuda os alunos a perceberem os cálculos em vez de os forçarem a incontáveis programas de repetição que prejudica a sua performance matemática. É referido que, a folha de cálculo modela a lógica matemática que está implícita nos cálculos, tornando óbvio, para os alunos, a lógica subjacente e permite melhorar a compreensão das inter-relações e dos procedimentos.
Ferramentas de modelação de simulações
O uso de folhas de cálculo para simular fenómenos constitui um “modo directo e efectivo de compreender o papel de vários parâmetros e de testar diferentes modos de optimizar os seus valores” (Sundheim, 1992,p.654)
Sendo assim a construção de simulações de sistemas dinâmicos é uma das actividades intelectuais mais completas onde os alunos se podem empenhar.
Ferramentas cognitivas relacionadas
As folhas de cálculo estão relacionadas com as bases de dados devido ao seu aspecto e funcionamento, com as ferramentas de modulação de sistemas e ainda com o micro mundo, um modelo simplificado do mundo que os alunos podem manipular. São assim ferramentas cognitivas poderosas quando usamos as suas potencialidades de simulação. São programas versáteis para manipular matematicamente quase todos os tipos de informação digital.
Treinar a criação de folhas de cálculo na sala de aula
Para os alunos poderem usar os vários tipos de análise de conteúdos necessários para estabelecer e descrever situações-problema e para criarem folhas de cálculo, irão precisar de muitas competências novas. A capacidade para criar modelos quantitativos de situações-problema é uma competência transferível e poderosa. Para obtermos este objectivo, é necessário percorrer vários níveis de aprendizagem. Esses níveis são a seguir referidos:
1. Fornecer uma folha de cálculo modelo aos alunos
2. Os alunos fazem um plano
3. Os alunos adaptam folhas de cálculo existentes ou concedem novas folhas de cálculo para outros alunos completarem
4. Os alunos criam e completam uma folha de cálculo orientada para um problema
5. Os alunos extrapolam a partir de folhas de cálculo
6. Os alunos reflectem sobre a actividade
Avaliar folhas de cálculo enquanto ferramentas cognitivas
Avaliar é considerado um processo complicado. Para a avaliação de folhas de cálculo enquanto ferramentas cognitivas, o autor propõe o seguinte:
Pensamento critico, criativo e complexo na criação e uso de folhas de calculo
São várias as competências implicadas desde o pensamento criativo, complexo, concepção, análise e relacionamento, entre outras, que são explicitadas nas grelhas expostas.
Para avaliar estas competências são propostas no texto várias tabelas que explicam de forma detalhada a forma segundo a qual devemos proceder.
Avaliar folhas de cálculo de alunos
O que torna uma folha de cálculo eficaz?
Para esta questão o autor expõe um quadro resumo com os critérios avaliativos de uma folha de cálculo, mas alertando para a possibilidade de adaptar os mesmos.
Avaliar software de folhas de cálculo
O Excel da Microsoft tornou-se a folha de cálculo mais standard e a mais usada, contudo devemos ter sempre em atenção o seu preço e optar sempre que possível pelas dos pacotes integrados.
Devemos seleccionar o software que minimize o tempo gasto na sua aprendizagem e maximize o tempo passado a resolver problemas quantitativos.
Vantagens das folhas de cálculo enquanto ferramentas cognitivas
Uma folha de cálculo realiza cálculos que estão incluídos nas suas células. Uma das vantagens é que alterando um valor numa célula altera automaticamente todos os cálculos. Assim, permitem obter vários resultados, que ajudam a compreensão dos vários problemas propostos e consequentemente influenciando o pensamento racional.
Limitações das folhas de cálculo enquanto ferramentas cognitivas
Pode-se referir que o interesse é superior nas áreas que impliquem cálculos matemáticos, embora seja possível a sua utilização em outras áreas educativas.
Resumo
As folhas de cálculo são ferramentas versáteis que permitem identificar, manipular e visualizar relações quantitativas entre entidades e criar simulações de fenómenos quantitativos dinâmicos.
São usadas como ferramentas cognitivas, tendo como finalidade principal ajudar os alunos no processo cognitivo.

Encontro sobre Podcasts


ENCONTRO SOBRE PODCASTS

8 e 9 Julho 2009 -Braga
Universidade do Minho


O Encontro sobre Podcasts pretende ser um espaço de formação, de partilha e de discussão para todos os que já utilizam podcasts no ensino e para os que pretendam vir a adoptar e explorar esta ferramenta.
A participação neste evento é enriquecedora para os profissionais do ensino.

Inscreve-te e participa.
A submissão de comunicações ou posters, texto integral, deve ser feita até 17 de Abril de 2009.

terça-feira, 3 de março de 2009

Blogs: um recurso e uma estratégia pedagógica

Análise do texto:

Blogs: um recurso e uma estratégia pedagógica
Maria João Gomes
Universidade do Minho – Departamento de Currículo e Tecnologia Educativa
mjgomes@iep.uminho.pt

BLOGS: CONCEITO, ORIGEM E PRINCIPAIS FUNCIONALIDADES

Este texto aborda a possibilidade de exploração dos “blogs” quer como “recurso” quer como “estratégia” pedagógica. Além disso, refere-se a importância que os “blogs” começam a ter no ensino, sendo uma “ferramenta de ensino”. Este facto é analisado pela autora ao longo do texto, assim como são apresentadas propostas de exploração que virão a dar fruto no nosso quotidiano escolar.
Assim, começa por definir o conceito de “blog”, o qual é a abreviatura do termo original da língua inglesa “weblog” como sendo uma página na Web que se pressupõe ser actualizada com grande frequência através da colocação de mensagens.
Os “blogs”, que inicialmente eram criados por pessoas com conhecimentos informáticos, depressa se expandiram, existindo, hoje em dia, uma diversidade interessante, abordando várias áreas e temas.
É, de seguida, explicada as principais funcionalidades dos “blogs”, desde um simples arquivo de links, um registo digital das emoções. A visibilidade pública de um “blog” depende até certo ponto da determinação do autor, o qual pode facilitar ou complicar esta visibilidade.
Finalmente é explicado que um “blog” deve ser actualizado, sendo essa actualização de autoria individual ou colectiva. Outro aspecto importante é o facto do sucesso dos “blogs” se dever em parte a estes constituírem espaços de publicação na Web, fáceis de usar e gratuitos.

POSSÍVEIS UTILIZAÇÕES PEDAGÓGICAS DOS BLOGS

Com o aparecimento dos sites de criação, gestão e alojamento de “blogs” gratuitos e de fácil utilização, assiste-se a uma proliferação dos mesmos, e à sua importância no mundo educativo.
Sendo assim, e embora a distinção entre os “bolgs” enquanto “recurso pedagógico” e os “blogs” enquanto “estratégia pedagógica” nem sempre seja clara, a autora decidiu adoptá-la para efeitos de sistematização da sua apresentação. A mesma refere o seguinte:

Enquanto recurso pedagógico os blogs podem ser:

􀂃 Um espaço de acesso a informação especializada;
􀂃 Um espaço de disponibilização de informação por parte do professor.

Enquanto “estratégia pedagógica” os blogs podem assumir a forma de:

􀂃 Um portfólio digital;
􀂃 Um espaço de intercâmbio e colaboração;
􀂃 Um espaço de debate – role playing;
􀂃 Um espaço de integração.

A autora alerta para o facto de, neste texto, apenas se referir algumas possibilidades de exploração dos “blogs” tendo em vista os alunos quer como “leitores” quer como autores dos mesmos.
O uso de “blogs” no campo educacional reveste-se de extrema importância, pois permite expor ideias, trabalhos e outros assuntos que o seu autor ou autores desejem partilhar. É assim uma ferramenta em que a sua utilização no campo educativo apresenta muito interesse.
No texto é realizada uma análise mais detalhada do uso dos “blogs” em determinados contextos. Assim, temos:
Os “blogs” como espaço de acesso, à informação especializada:
trata-se de uma forma de disponibilizar aos alunos mais uma fonte de informação especializada, por vezes com a mais-valia da existência da possibilidade de contactarem os responsáveis.
Os “blogs” como espaço de disponibilização de informação por parte do professor:
é o próprio professor que cria e dinamiza um “blog” no qual disponibiliza informação que considera de interesse para os seus alunos. Pode através da utilização do seu “blog” motivar os seus alunos a estudarem de forma mais continuada, apresentando as matérias de uma forma mais atractiva e motivadora. Desde que existam as condições técnicas necessárias, o “blog” do professor pode ser uma ferramenta bastante poderosa em contexto educativo.
Os “blogs” como portfólio digital:
A autora refere o seguinte:
“Uma das utilizações mais frequentes dos blogs no domínio educativo, particularmente ao nível do ensino superior é a sua exploração como forma de construção de um portfólio digital.
Um portfólio pode assumir diversas funções e ter múltiplos propósitos sendo de realçar a possibilidade da sua exploração como forma de organizar e apoiar as aprendizagens e/ou a possibilidade de se constituir como instrumento de avaliação.
Ambas as perspectivas são educacionalmente válidas e normalmente fortemente intercruzadas.”
Estando a avaliação por portfólio a despertar cada vez mais interesse, a autora refere como a mesma deve ser efectuada:
"A avaliação por portfólio, na sua essência, é uma avaliação centrada no acompanhamento longitudinal do processo de participação nas actividades de aprendizagem/formação pelo que se focaliza quer no “produto”, quer no “processo” ".
Os “blogs” como espaço de intercâmbio e colaboração entre escolas:
O desenvolvimento de projectos de intercâmbio entre escolas é uma estratégia pedagógica de longa data utilizada em múltiplos contextos mas talvez com particular incidência no domínio do ensino das línguas. Neste campo o “blog” apresenta uma série de potencialidades relacionadas com as suas características e que potenciam a sua utilização no espaço de intercâmbio e colaboração entre escolas.
Os “blogs” como espaço de debate – role-playing
Uma outra possibilidade da utilização dos “blogs” é, como espaço de desenvolvimento de debates prolongados, adoptando o espírito da estratégia de role-playing (desempenho de papéis).
A criação de debates, entre escolas e entre grupos permite e como refere a autora:
“Este tipo de actividade tem grande potencial educativo, não só pela necessidade de desenvolver competências de pesquisa de informação e de domínio da comunicação escrita mas também pode contribuir para o desenvolvimento de um espírito de maior tolerância e abertura a pontos de vista diferentes.”
“Blogs” como espaço de integração:
A autora refere que neste contexto podemos considerar duas versões distintas da utilização dos “blogs”, em ambos os casos valorizando a sua vertente de meio de comunicação. A construção de um “blog” colectivo permite ser um espaço de integração entre os alunos quer eles estejam presentes ou não.

CONCLUSÃO:

No contexto em que foi explorado este teste, nomeadamente os aspectos de carácter pedagógico, relacionados directamente com o processo de ensino e de aprendizagem, a autora refere o seguinte:
“É minha convicção que não estamos perante uma “moda” passageira mas sim perante um novo recurso que pode suportar diversas estratégias de ensino e de aprendizagem. A facilidade de criação e manutenção de um blog e a existência de serviços gratuitos e de qualidade, bem como a crescente divulgação de perspectivas e experiências práticas da sua utilização ao nível de escolas dos diversos níveis de ensino são um bom prenúncio neste sentido. O aumento das condições de acesso à Internet, nomeadamente com o projecto de colocar “banda larga” nas escolas e com o aumento do número de famílias com acesso à Internet a partir das suas residências é também um sinal positivo.”
Estas afirmações não podiam ser mais verdadeiras, no contexto escolar actual, e cabe-me a mim, enquanto educador, implementar e aproveitar a utilização desta ferramenta como uma forte aliada no processo de ensino e aprendizagem.

domingo, 1 de março de 2009

Indicadores de Qualidade de Sites Educativos

Análise do texto: Carvalho, Ana Amélia A. (2006). Indicadores de Qualidade de Sites Educativos. Cadernos SACAUSEF – Sistema de Avaliação, Certificação e Apoio à Utilização de Software para a Educação e a Formação, Número 2, Ministério da Educação, 55-78.

Indicadores de Qualidade de Sites Educativos

Ana Amélia Amorim Carvalho – Universidade do Minho – aac@iep.uminho.pt

O texto em análise aborda a evolução que se tem verificado nos sites ao nível de layout e de design gráfico, de funcionalidades informativas e interactivas, de orientação, de navegação e de comunicação.
É explicitado ainda os cinco componentes essenciais de um site educativo: informação, actividades, construção e edição colaborativa online, comunicação e partilha.
Posteriormente são propostas as dimensões de qualidade de um site educativo.
A World Wide Web e o dilúvio da informação
A World Wide Web apresenta um crescimento de informação, onde a diversidade e multiplicidade da mesma não é garantia de qualquer qualidade. Neste contexto cito as seguintes afirmações de Lévy (2000) “o dilúvio da informação não diminuirá nunca mais. (…) Não terá fim” (2000: 15).” e “ensinemos os nossos filhos a nadar, a flutuar, a navegar talvez” (idem: 15).”
Esta diversidade imensa de informação, implica a necessidade de sabermos distinguir um site fiável de um que não o é, e isso, pode ser obtido através de indicadores que ajudam a identificar a qualidade de um site.
QUATRO FASES NA EVOLUÇÂO DOS SITES
Esta análise da evolução dos sites foi efectuada não “só ao nível do layout das páginas e da estruturação da informação, mas também, à integração de ferramentas de comunicação e de edição online.”
INFORMAÇÃO CORRIDA (O “LENÇOL”)
Trata-se da primeira fase, designada por informação corrida, que surge com as primeiras páginas Web. O termo “lençol” é associado devido ao facto da mancha gráfica ser densa e muito longa. Outra particularidade desta página é a sua difícil leitura no ecrã e o facto de não se tirar partido do hipertexto e a dificuldade de orientação no site.
MULTIMEDIA (“MULTIMÉDIA NO SEU PIOR”)
Esta fase é caracterizada pelos gifs animados, pelas cores coloridas e pela música de fundo. Embora as páginas ficassem com muita vida, dificultavam a concentração. Temos então, uma utilização desequilibrada de componentes de multimédia.
Começa também nesta fase, a disponibilização do nome de autor e o seu contacto electrónico, e em alguns sites começam a surgir fóruns temáticos, valorizando-se assim a comunicação.
DESIGN GRÁFICO E INTERACTIVIDADE
Nesta fase, há a preocupação com o design gráfico. É especificado no texto uma série de características, das quais realço que “O texto com fonte sem serifa surge alinhado à esquerda” e “Perante a informação disponibilizada, o utilizador é convidado a interagir, passando a ter um papel mais activo:
a) activar uma animação, permite compreender (ver e/ou ouvir) determinada sequência ou construção;
b) preencher e enviar, por exemplo, formulários, colocar uma questão, aguardando depois que o feedback chegue.
c) preencher e verificar, o utilizador obtém feedback imediato, o que é excelente para o sujeito. Como exemplo, pode referir-se exercícios interactivos com correcção automática.”
EDIÇÃO COLABORATIVA ONLINE
Nesta fase, os conteúdos diversificam os conteúdos utilizados embora predomine o texto, donde se salienta o podcast. Os sites educativos passam a conter informação para os professores, alunos e encarregados de educação e professores e alunos encontram-se no chat, com áudio ou vídeo, no correio electrónico e no fórum. A comunicação intensifica-se.
SINTESE
Neste ponto, o texto apresenta um quadro resumo bastante esclarecedor, onde são resumidas todas as características das quatro fases evolutivas dos sites.

Um site é constituído por um conjunto de páginas ligadas entre si, estabelecendo hiperligações a outros sites. Especifica-se também uma série de características específicas que um site deve obedecer.
COMPONENTES DE UM SITE EDUCATIVO
“Um site educativo tem que ter subjacentes os princípios básicos estruturais, de navegação, de orientação, de design e de comunicação de qualquer site mas, para além disso, um site educativo tem que motivar os utilizadores a quererem aprender, a quererem consultar e a quererem explorar a informação disponível. Para isso, o site deve integrar actividades variadas.”
Esta afirmação é bastante esclarecedora do que deve ser um site educativo, das quais se destaca a variedade de actividades, ser aberto à comunidade educativa e usando as ferramentas de comunicação (trabalho colaborativo) e finalmente o site deve ter um espaço de partilha de trabalhos e projectos feitos pelos professores e alunos, comprometendo-se estes a respeitar as orientações éticas e morais do site.
São consideradas cinco componentes principais de um site educativo: a informação, as actividades, a comunicação, a edição colaborativa online e a partilha. Estes componentes não são estanques e contribuem para dinâmicas interactivas, auto-suficientes e de responsabilização na aprendizagem e na produção de trabalhos.
INDICADORES DE QUALIDADE
São referidas as normas ISO 8402 (1994) e ISSO/IEC 9126-1 (2001), como normas reguladoras. É igualmente esclarecido pela autora o facto de vários autores e organizações proporem dimensões e indicadores que permitem aferir a qualidade de sites.
ABORDAGENS QUE EVIDENCIAM OS INDICADORES DE QUALIDADE DA INFORMAÇÃO
Neste ponto referem-se algumas das abordagens que evidenciam os indicadores de qualidade da informação referidas pela autora, dos autores Tillman (2003), Grassian (2000), Richmond (2003), Beck , Smith(2005), Kapoun (1998), Tweddle (1998), Greer (1999), Mardis & Ury (2003) e Ken Statefoi (2004).
ABORDAGENS A SITES EDUCATIVOS
Neste ponto é referido pela autora que poucas abordagens a sites educativos foram encontradas, mas a mesma destaca as seguintes: “destacamos as propostas por Treadwell (2006), Simões (2005), Schrock (2002), Chen e Brown (2000), Adojan e Sarapuu (2000) e Bantjes e Cronje (2000).” A autora apresenta uma tabela que referencia como a Grelha de Avaliação sobre o SiteMat de Simões (2005), a qual explica as sub-características e atributos da informação do site acima referido.
INDICADORES DE QUALIDADE DE UM SITE EDUCATIVO
Estes indicadores baseiam-se na norma ISO/IEC 9126-1 (2001), na da literatura explicada no ponto anterior, na experiência da autora e na definição que a mesma apresentou sobre site educativo.
A autora propõe nove dimensões, que integram os indicadores de qualidade de um site educativo, os quais serão explicados nos pontos a seguir:
IDENTIDADE
É integrada por:
a) Nome do site
b) Propósito ou finalidade do site
c) Autoridade
d) Data de criação e a última actualização
USABILIDADE
A Usabilidade de um site traduz-se no facto de ser fácil de usar e fácil de aprender a usar. Para isso, contribuem os seguintes pontos:
a) Estrutura do site
b) Navegação e orientação do site
c) Interface
RAPIDEZ DE ACESSO
A rapidez de acesso ao site e de navegação no seu interior é um factor muito importante, contribuindo para essa rapidez o facto de as hiperligações estarem activas.
NIVEIS DE INTERACTIVIDADE
A interactividade motiva o utilizador a explorar um site. Sendo assim, o aprendiz tem que ser desafiado num site para se sentir envolvido e interessado. São explicados pela autora cinco níveis (1 ao 5).
INFORMAÇÃO
Neste ponto é referido que a informação a disponibilizar pode estar em qualquer formato, abarca o conteúdo disponibilizado, as ajudas ao utilizador e as perguntas frequentes. São identificados seis indicadores de qualidade de informação:
a) Temática e adequação às orientações curriculares
b) Abordagem feita ao assunto
c) Correcção do texto (escrito ou oral)
d) Referências bibliográficas
e) Data e actualidade
f) Autor
ACTIVIDADES
As actividades disponíveis num site têm como principal objectivo levar os alunos a conhecerem a informação nele disponível ou outras temáticas complementares em outros sites afins. Essas actividades devem envolver os alunos. São referidas três tipos de actividades:
a) A pesquisa orientada
b) Jogos
c) Os exercícios com correcção automática
Essas actividades devem ter em conta o nível de escolaridade que se pretende abarcar.
EDIÇÃO COLABORATIVA ONLINE
Estas ferramentas colaborativas fazem com que vários sujeitos colaborem para um mesmo objectivo, permitindo, por exemplo, que várias escolas colaborem para um projecto comum.
ESPAÇO DE PARTILHA
Este espaço é para serem disponibilizados os trabalhos realizados pelos professores e os alunos dentro de certas orientações.
COMUNICAÇÃO
Este ponto caracteriza-se pela existência de fóruns, sendo este um espaço de partilha.
CONCLUSÃO
Neste ponto a autora tem uma citação que esclarece bem a importância dos indicadores de qualidade de um site educativo, que é a base da análise deste texto:
“Saber identificar os indicadores de qualidade de um site educativo é algo de imprescindível no século XXI, dada a crescente importância da Web como recurso informativo.
Os indicadores de qualidade apresentados estão directamente relacionados com os componentes de um site educativo e com as tecnologias actuais. Destacamos o papel das actividades como motivadoras da exploração do conteúdo disponibilizado no site, podendo estas proporcionar aprendizagem colaborativa.”